Tuesday, September 02, 2014

Entrevista com Michael Rother

Foto: Ann Weitz, 1973.
Michael Rother nasceu no dia 2 de Setembro de 1950, na cidade de Hamburgo, na Alemanha. Seu primeiro contato com a música foi ouvindo a sua mãe executando peças do seu compositor favorito, Frédéric Chopin, ao piano. Na infância, Michael Rother viveu em Munique (Alemanha), Wilmslow (Inglaterra) e em Karachi (no Paquistão, onde ele teve contato com a música paquistanesa), antes da sua  família retornar para a Alemanha, para a cidade de Düsseldorf, onde ele juntou-se à sua primeira banda, "Spirits Of Sound", na qual ele tocou guitarra entre 1965 e 1971. Também em Düsseldorf, Michael Rother juntou-se aos músicos Florian Schneider e Klaus Dinger no Kraftwerk, durante um curto período no qual Ralf Hütter deixou a banda para dedicar-se aos estudos de arquitetura. Com o Kraftwerk, Michael Rother tocou em alguns concertos, participou de alguns programas de rádio e TV mas, mais do que isso, foi neste período que ele e o baterista Klaus Dinger descobriram que tinham idéias muito parecidas em relação à música, suas afinidades musicais eram muito maiores entre si do que com Florian Schneider, e logo Rother e Dinger deixaram a banda para formar o NEU!, uma das principais bandas alemãs dos anos 70, sendo influencia para artistas como David Bowie, Brian Eno, Iggy Pop, Joy Division, Ultravox e vários outros. O NEU! gravou três albuns essenciais, nos anos 70 (NEU!, 1972; NEU! 2, 1973; e NEU! 75, 1975), trabalhando com outro grande nome do rock alemão, o produtor Conny Plank.

Em 1973, Michael Rother conheceu os músicos Hans-Joachim Roedelius e Dieter Moebius. Juntos, Roedelius e Moebius já eram nomes bastante conhecidos no rock e na música experimental alemã, desde o final dos anos 60, primeiramente tocando com Conrad Schnitzler como Kluster e depois como uma dupla, mudando o nome da banda para Cluster. Michael Rother havia escutado uma faixa do Cluster e se interessou pela música da dupla. Com a intenção de convidar Roedelius e Moebius para juntarem-se ao NEU! em uma tour pela Inglaterra, Michael Rother viajou para Forst, onde Roedelius e Moebius moravam, e para onde Michael mudou-se, em seguida, formando o Harmonia, outra banda alemã influente nos anos 70. O primeiro disco do Harmonia, "Musik von Harmonia" foi lançado em janeiro de 1974. Também em 1974, Rother co-produziu "Zuckerzeit", o terceiro álbum do Cluster, e foi durante um concerto do Harmonia em Hamburgo, no Fabrik, que Brian Eno entrou em contato com Rother, Roedelius e Moebius. Em 1975, o Harmonia lançou seu segundo disco, "Deluxe" (com o baterista Mani Neumeier como músico convidado em algumas faixas), e no ano seguinte, no mês de setembro, Brian Eno juntou-se ao trio na sua casa em Forst, Alemanha. "Tracks and Traces", um disco do Harmonia com o Brian Eno, foi gravado durante o período que Eno permaneceu com a banda, mas só foi lançado em 1997, e depois relançado com faixas extras em uma reedição muito bem feita, via o selo Grönland, em 2009 (em 2007, o selo Grönland também lançou o álbum "Live 1974", gravado pelo Harmonia em um concerto na Penny Station, em Griessem, Alemanha, no dia 23 de março de 1974).

Foto: Ann Weitz, 1976.
A carreira solo de Michael Rother começou em 1977, com o grande álbum "Flammende Herzen" (co-produzido por Conny Plank e gravado no estúdio do Conny, entre junho e setembro de 1976). Michael Rother gravou todos os instrumentos no disco, com exceção da bateria, gravada por Jaki Liebezeit, da banda Can. "Sterntaler", segundo disco solo de Rother, também gravado com Conny Plank e Jaki Liebezeit, foi lançado em 1978. "Katzenmusik", seu terceiro disco solo, foi lançado em 1979 e, em 1982, Michael Rother lançou seu quarto álbum solo, "Fernwärme", gravado integralmente em Forst, e pimeiro disco de Rother a ser lançado pela gravadora Polydor. Os discos seguintes de Rother são: "Lust" (1984), "Süßherz und Tiefenschärfe" (1985), e "Traumreisen" (1987). "Radio", uma coletânea lançada em 1993, foi o primeiro álbum a ser lançado pela Random Records, selo do próprio Michael Rother, e foi seguido pelos discos "Esperanza" (1996) e "Remember - The Great Adventure" (2004).


Em novembro de 2010, eu tive a oportunidade de assistir ao Michael Rother ao vivo, no SESC Vila Mariana (em São Paulo) em um concerto muito legal, no qual Michael Rother - jutamente com o baterista Steve Shelley e o baixista Aaron Mullan - tocaram como Hallogallo 2010. Um concerto espetacular, devo dizer! Eu contatei o Michael Rother para convidá-lo a fazer esta entrevista há alguns meses, e eu fico muito feliz que ele tenha encontrado algum tempo na sua agenda atarefada para enviar-me as respostas para a entrevista em áudio, que eu prontamente transcrevi (com a ajuda do próprio Michael Rother). Então é isso, eu tenho a oportunidade de publicar esta entrevista hoje, no dia 2 de setembro, dia do aniversário do Michael Rother! Muito obrigado, Michael, e tenha um ótimo aniversário!

E aqui está a entrevista:

Foto: Hadley Hudson, 2001.
ASTRONAUTA - Michael Rother, quais foram seus primeiros passos na música e seus primeiros instrumentos musicais?

MICHAEL ROTHER - Meus primeiros passos na música foram, naturalmente, ouvindo minha mãe tocar piano clássico, quando eu era bem novo, na minha infância. Minha mãe estudou piano clássico e ela tocava peças do seu compositor favorito, Chopin - Frédéric Chopin - em casa. Mais tarde, quando eu tinha por volta de 7 ou 8 anos de idade, meu irmão que é dez anos mais velho do que eu, fazia festas de rock'n'roll em casa, então eu ouvia rock'n'roll, artistas como Chuck Berry, Elvis Presley, e especialmente Little Richard, que hoje em dia eu ainda adoro.

ASTRONAUTA - Na sua infância e adolescência, você morou em outros países - Inglaterra, Paquistão. Como a música feita nestes países influenciou sua vida e na sua própria musicalidade?

MICHAEL ROTHER - Quando eu tinha 9 anos de idade, depois de vider na Inglaterra por um ano, minha família mudou-se para Karachi, Paquistão, onde nós permanecemos por 3 anos, e eu ouvia... Eu tive contato com a música do Paquistão, haviam músicos, bandas e músicos locais, que tocavam nas ruas e, estranhamente, aquilo me fascinava muito. Eu sentia uma conexão forte com aquela música mágica, infinita, que parecia não ter início nem final, e eu acho que esta é uma conexão especial e emocional que eu tenho com a música até hoje em dia, a idéia de uma música que vai indo, eternamente, sem um ponto certo para acabar. 

ASTRONAUTA - Antes de juntar-se ao Kraftwerk, você fez parte de uma banda chamada "Spirits Of Sound", certo? Onde o "Spirits Of Sound" tocava, na época? E a banda chegou a gravar alguma coisa?

MICHAEL ROTHER - Minha família voltou para a Alemanha em 1963. Eu morava em Düsseldorf, com meus pais. Era um período muito empolgante, porque os novos sons musicais vindos da Inglaterra - especialmente da Inglaterra - estavam chegando na Alemanha, a música de bandas como The Beatles, Rolling Stones, Kinks, e muitas outras. Todos, entre os meus amigos e colegas, nós todos ficamos muito impressionados por aquela música, e vários garotos resolveram que queriam aprender a tocar um instrumento. Eu juntei-me a uma banda, com os garotos da minha sala de aula, quando eu tinha 15 anos de idade. A banda se chamava "Spirits Of Sound". Eu escolhi tocar guitarra, que era algo que já havia me ocorrido quando eu morava no Paquistão, onde eu tentei criar uma guitarra a partir de um instrumento chamado Japan Banjo - eu acho que no Paquistão era chamado por outro nome, mas assim que ele foi chamado, quando apareceu no primeiro disco do NEU!, onde Klaus Dinger tocou aquele mesmo instrumento, estranhamente. 

A "Spirits Of Sound" era, naturalmente, uma banda de colégio, uma banda amadora, e nós nos sentíamos felizes em copiar nossos heróis, tentando soar como os Beatles, os Stones, e outras bandas. Esta era toda a nossa ambição. Eu adorava fazer música, tocava guitarra sempre que podia, depois de terminar minhas tarefas escolares, até o final do dia. Nossa banda era convidada para tocar em festivais colegiais e em pequenos locais na região de Düsseldorf, e assim nós fomos ficando cada vez mais populares na cidade. Então, nos quatro ou cinco anos seguintes, nós gradualmente fomos melhorando como banda, e passamos a pegar músicas de guitar heroes como Eric Clapton (com o Cream) e, mais adiante, até mesmo músicas do Jimi Hendrix, que era - e ainda é - uma grande inspiração para mim. A "Spirits Of Sound" também esteve em um estúdio de gravação, no final dos anos 60, porque fomos convidados para participar de um filme chamado "Ein Tag Ist Schöner Als Der Andere," traduzindo, mais ou menos "Cada dia é mais belo do que o outro", e nós tivemos a chance de gravar duas canções. Eu ainda tenho as fitas, nos meus arquivos e, para você ter uma idéia do que nós estavamos procurando fazer, na época, era um tipo de música que eu abandonaria logo em seguida.

ASTRONAUTA - Como foi, para você, a transição entre ser um membro do Kraftwerk e formar o NEU!, com o Klaus Dinger? 

MICHAEL ROTHER - Em 1971, quando eu tocava com o Florian Schneider e o Klaus Dinger como Kraftwerk, nós fizemos alguns concertos realmente empolgantes, grandes apresentações, mas também alguns concertos que não foram tão divertidos. Parcialmente, isto acontecia por conta dos conflitos entre os membros, mas também por causa do fato de que criávamos música no local, em tempo real, não era um tipo de música completamente premeditada. Então dependíamos muito da situação, da atmosfera e da recepção da platéia. Às vezes, quando tocávamos em algum local que não era tão bom, ou que as circunstâncias não fossem muito favoráveis, não conseguíamos criar uma música tão legal, e as brigas se tornaram grandes no Kraftwerk quando o Florian, o Klaus e eu tentamos, sem sucesso, gravar o segundo disco do Kraftwerk, no estúdio com o Conny Plank. Ficou muito claro para nós três que não continuaríamos trabalhando juntos como um trio. Klaus e eu tínhamos muito mais coisas em comum, nossa visão da música parecia ter mais em comum do que o que Florian estava procurando e então, depois de nos separarmos, Klaus Dinger e eu decidimos continuar como uma dupla. Entramos em contato com Conny Plank, perguntamos se ele gostaria de gravar conosco e foi assim que começou o NEU! Naturalmente, na época, pegamos algumas das nossas idéias, algumas músicas que havíamos tocado com o Florian, como uma visão de música, e levamos para o estúdio. Mas, como você sabe, o primeiro disco do NEU! tem uma sonoridade bem diferente e, na minha percepção, foi ali que a minha própria música começou. Há um corte bem claro com tudo que eu havia feito antes daquilo. Existem similaridades, mas era um grande passo a frente para mim, e eu acho que para o Klaus também. 

ASTRONAUTA - Como você conheceu o Roedelius e o Moebius?

MICHAEL ROTHER - Com o Klaus Dinger era possível gravar as músicas. Para mim, era uma combinação de muito sucesso. Klaus Dinger tinha qualidades que eu não tinha, e eu acho que o contrário também é verdade, então conseguiamos gravar as músicas que fazíamos. Porém, como dupla, com Klaus Dinger tocando bateria e eu tocando guitarra em shows, ao vivo, não havia muita profundidade na música. Com nossos dois instrumentos apenas, não conseguíamos criar detalhes o suficiente, então testamos diversos músicos e, olhando retrospectivamente, é óbvio que não conseguiríamos fazer funcionar, porque nossa visão da música era muito diferente - e também nossas idéais extra-musicais -, eram muito diferentes do que todos os outros músicos tinham em mente. Então meio que paramos de procurar por outros músicos. Mas daí eu descobri uma faixa do Cluster, banda que também estava trabalhando com o Conny Plank, e eu reconheci alí algumas similaridades musicais com minhas próprias idéias. Era uma faixa chamada "Im Süden", e então eu peguei minha guitarra e fui visitar o Roedelius e o Moebius em Forst, com a intenção de descobrir se eles poderiam se juntar ao NEU!, para tocar em uma tour pela Inglaterra. O selo inglês United Artists havia lançado os discos do NEU!, e também o single, e eles convidaram o NEU! para fazer uma tour pela Inglaterra, e então esta foi a razão pela qual eu fui até o interior, para visitar o Roedelius e o Moebius. E porque eu havia levado minha guitarra comigo, eu pude tocar - com o Roedelius especialmente - e, estranhamente, surpreendentemente, descobri que a música que eu tocava com o Roedelius era mais interessante para mim, inclusive, especialmente porque a combinação com os dois músicos, Moebius e Roedelius, levava, nos bons momentos, à uma música completamente fascinante. Nós podíamos tocar ao vivo e criar um quadro muito completo, com sons muito detalhados, e isto era, para mim, isto era muito empolgante, era um novo campo musical, que eu queria descobrir e desenvolver com os dois músicos. Esta foi a razão de eu ter me mudado para Forst, e a razão de eu viver aqui até hoje. 

ASTRONAUTA - Em 1976, o Brian Eno passou alguns dias com o Harmonia, em Forst. Quais são as suas memórias deste período?

MICHAEL ROTHER - Nós conhecemos o Brian Eno em 1974. O Harmonia estava tocando em Hamburgo, estávamos fazendo um concerto na Fabrik, em Hamburgo, e o Brian Eno estava visitando a Alemanha para divulgar seu disco. Então, ele descobriu que estávamos tocando lá e pediu para um jornalista que estava entrevistando-o para levá-lo ao concerto. Então, o Brian acabou chegando no local, fomos apresentados e o convidamos para visitar-nos em Forst. Passaram-se dois anos e então, dois anos depois, ele ligou e perguntou se poderia finalmente vir para Forst, nos visitar, o que não era o melhor período porque no verão de 76, o Harmonia havia acabado. Inclusive, nós três já havíamos gravado nossos próprios albuns, cada um havia gravado um álbum solo com o Conny Plank. Eu havia gravado o "Flammende Herzen", o Roedelius tinha um disco chamado "Durch Die Wüste" e o Moebius estava com uma colaboração com outros músicos, chamada "Liliental". Então, de qualquer forma, nós não quisemos decepcionar o Brian Eno. Ele já estava a caminho para trabalhar com o David Bowie e, então, nós o buscamos em Hanover, no aeroporto, e ele passou 11 ou 12 dias em Forst. Nós gostamos da sua presença, conversávamos bastante sobre música. Nós criavamos música no estúdio, mas não havia absolutamente nenhuma pressão em cima de nós porque, no nosso entendimento, estávamos somente trocando idéias sobre música e não iríamos necessáriamente lançar um disco juntos. Eu tinha um gravador de fitas de quatro canais e então, como éramos quatro músicos, cada um de nós tinha um canal. Às vezes estávamos no estúdio, todos os quatro, às vezes só três ou só dois de nós, e apenas fazíamos esboços de idéias musicais, quando não estávamos caminhando ao lado do rio Weser, ou caminhando na floresta que há na região, ou bebendo chá, ou apenas sentados na frente de casa, no sol, descansando. Então, foi um período bastante despretencioso mas, olhando para trás e ouvindo as gravações que fizemos durante aqueles 12 dias, 10 ou 12 dias, também foi um período de alto potencial musical. É muito óbvio que estávamos em um período muito criativo e relaxado. Lançamos uma versão que o Hans-Joachim Roedelius editou em 1997 e, em 2008, eu adicionei três faixas extras, extraídas da minha própria fita K-7, com mixagens que eu fiz para mim mesmo na tarde anterior à partida do Brian Eno, quando ele levou as fitas com ele. A idéia era que ele voltasse depois de finalizado seu trabalho com o David Bowie. Não ocorreu mas, felizmente, eu tinha esta minha fita K-7 como documento, e descobri que haviam várias outras belas idéias, então eu escolhi três faixas, e Roedelius e Moebius concordaram que deveríamos adicionar estas três faixas ao álbum "Tracks and Traces", que foi lançado pelo selo Grönland em 2009. E é justamente esta versão atual que eu recomendo, na verdade. É um documento de uma fase muito produtiva para os quatro músicos. 

ASTRONAUTA - Quais eram os seus principais instrumentos musicais nos anos 70? 

MICHAEL ROTHER - Bom, meus principais instrumentos nos anos setenta eram, naturalmente, minhas guitarras e alguns poucos equipamentos que eu utilizava para tratar a guitarra, como fuzz box, pedal de wha-wha, pedal de volume e também um delay, que você pode ouvir em todas as minhas gravações e que era uma parte muito importante na criação do meu som. Mas então, ainda nos anos setenta, eu comecei a trabalhar com alguns sintetizadores, especialmente Farfisa, porque eu conhecia o distribuidor da Farfisa na Alemanha. Por conta disto, acabamos com vários equipamentos da Farfisa. Os pianos e sintetizadores da Farfisa também eram utilizados pelas bandas Can e Kraftwerk, nós tínhamos alguns sons de sintetizadores e pianos Farfisa em comum. Às vezes, quando você escuta o som original dos instrumentos, sozinhos, eles soam muito pobres e não são muito interessantes. Mas, combinando com os efeitos que utilizávamos, alguns tratamentos especiais que poderiamos dar ao som, era possível criar paisagens musicais bastante interessantes. Ouça, por exemplo, a faixa "Isi", que abre o disco NEU! 75, aquilo é um Farfisa, vários sons de Farfisa, tratados com alguns equipamentos old school, muito simples, mas que davam vida ao som. Estes eram meus principais instrumentos nos anos setenta. E, porque eu não consigo me desfazer de nenhum instrumento musical que eu utilizei para criar música, eu ainda tenho quase tudo o que utilizei, ainda tenho meus equipamentos no meu pequeno museu particular. 

ASTRONAUTA - Em novembro de 2010 você tocou no Brazil. Quais são suas memórias dos concertos que fez aqui?

MICHAEL ROTHER - Bom, a tour foi bastante excitante porque, antes disso, antes de 2010, eu não havia visitado a America do Sul ainda, não havia me apresentado em nenhum dos países. E, Steve Shelley e Aaron Mullan (que tocou contra-baixo. Steve Shelley foi o baterista), nós formávamos um grande time e em 2010 fizemos, pelo que me lembro, 35 shows em vários países ao redor do mundo. Eu acho que nosso primeiro concerto aí foi em Belo Horizonte, algo assim, em um festival, que tería sido uma experiência muito agradável mas, infelizmente, um músico decidiu se suicidar. Eu não conhecia o músico mas nós estávamos fora, estávamos passeando pela cidade e conhecendo alguns locais muito bonitos pela cidade quando fomos chamados de volta ao hotel. Foi um desastre para o festival, este músico pulou do quarto do hotel... Eu não sei, acho que do vigésimo andar e então, naturalmente, havia uma sombra muito escura pairando sobre o festival e sobre nossa experiência no Brazil. Eu adoraria retornar ao Brazil, à America do Sul mais uma vez, para concertos e viagens sem acontecimentos sombrios como os de 2010.

ASTRONAUTA - Quais são seus projetos mais recentes e planos para o futuro? 

Foto: Hadley Hudson, 2001.
MICHAEL ROTHER - Recentemente, nos últimos meses, eu me apresentei em alguns concertos: o primeiro em abril, em Copenhagen, na Dinamarca (com um line-up único, juntamente com o Dieter Moebius e o Tangerine Dream), em julho eu me apresentei na minha cidade, Bevern, em um castelo histórico, e então em agosto, em um festival maravilhoso na Polônia, o OFF Festival, em Katowice. Em todos os três concertos eu convidei o baterista Hans Lampe - que tocou bateria no lado dois do disco NEU! 75 -, e também o Franz Bargmann, um guitarrista que originalmente fazia parte da banda Camera, de Berlim. Esta combinação funciona muito bem, formamos um ótimo time. No mês que vem, em setembro, estaremos tocando na Noruega, em um festival chamado Phonofestivalen. Recentemente, eu finalizei um remix para uma banda britânica chamada "Boxed In", e o Paul Weller entrou em contato, também recentemente, e perguntou se eu teria tempo para produzir algo com ele, fazer música. E eu devo retomar isto, mas existem tantos outros projetos que estou trabalhando, alguns novos instrumentos, algumas novas tecnologias e equipamentos que eu quero testar, desenvolver novas idéias. Mas eu sou grato pela oportunidade, e espero voltar à America do Sul novamente, e então talvez possamos nos encontrar aí.

Foto: Ann Weitz, 1975.
Site oficial do Michael Rother: www.michaelrother.de 


Wednesday, August 20, 2014

Interview with Bernard Fèvre


Bernard Fèvre was born in April 29th, 1946, and grew up in a working-class suburb five kilometres from Paris, France. In his childhood he used to listen to classic composers like Chopin, Debussy and Ravel, and also jazz, which he knew from radio shows. Bernard became interested and begun to play the piano when he was 4 years old. In the early sixties, he became interested in popular music, mainly from the USA (Ray Charles and others) and England (The Beatles and other). At age 14, Bernard left the school to work on a factory during the day and to join a band in a nightclub, at nights. The second job became his official one, and at 17 he was already earning his life playing music, professionally.

In mid-sixties, at age 18, Bernard Fèvre had to do his military service and went to Germany, staying for 16 months in that country. As soon as he was back to France, he met again some of his old band mates and re-joined them in another band, with whom he toured all over France. Bernard Fèvre played for almost 10 years with this band.

"Suspense", Bernard Fèvre's first solo record, was released in 1975. Recorded in a small apartment in Paris and using only a Teac 4-track tape recorder, some synthesizers and effects, "Suspense" is a very nice early electronic album and a very good example of early "home recording", like Bernard's folowing albums, "The Strange World Of Bernard Fèvre" and "Cosmos 2043" (both released in 1977). The music in those 3 albums can easily fall on the "library music" label, but more than that, those albums shows a careful research on the electronic means to create very nice music, beside being the genesis of Bernard's next project (and the one which gave him international recognition): Black Devil Disco Club.

Recorded and released in 1978, Black Devil Disco Club's first album is one of the greatest "disco music" masterpieces. Credited to Junior Claristidge and Joachim Sherylee (in fact, those were the artistic names for Bernard Fèvre and Jacky Giordano to this project, the second being credited as a co-writer for the lyrics), Black Devil Disco Club was recorded in the suburbs of Paris, again using only synthesizers, tape loops and an occasional drummer. RCA was the original label for the release. In 2004 the original 1978 EP was reissued by Rephlex Records label, and in 2006 Black Devil Disco Club officially came back to life, and Bernard Fèvre released the project's second album, "28 After" (as the title make clear, after 28 years from the project's first album), via UK label Lo Recordings. The same record company is responsible for a re-worked version of the original 1975 album "The Strange World of Bernard Fèvre" (released in 2009), and also for other albums by Black Devil Disco Club - "Black Devil In Dub", 2007, "Eight Oh Eight", 2008, "Circus", 2011 (with guest artists Nancy Sinatra, Jon Spencer and Afrika Bambaataa), and the recent "Black Moon White Sun", released in October 2013. A documentary called "Time Traveler: The Strange World Of Bernard Fèvre" is on production by UK company Multiny Media.

My first contact with Bernard Fèvre was via his Facebook page, and then via Olivier Rigout, who kindly forwarded my emails to Bernard, with this interview (the text was originally sent in French by Mr. Fèvre. Your can check it below the English translation). I'd like to thank so much Bernard Fèvre and Olivier for this opportunity, to interview one of the great names of French electronic music! And here's the interview:



ASTRONAUTA - Which musicians or bands do you remember as your primary influences? And how did you decide to become a musician?

BERNARD FÈVRE - Many musicians attracted me to music and my choice has always been varied. In the '50s I loved Chopin, Debussy, Ravel, and also composers like Edith Piaf, that I did not know by name, I've always loved to listen to the radio because I loved all the genres of music of my time. My first favorite radio show was called "For Those Who Love Jazz".

In the '60s the music that had magnetized me came mostly from America, England and Brazil. I think that, at that time, those 3 countries produced things that had a lot of soul. I loved Ray Charles, Stevie Wonder, Quincy Jones, Diana Ross & The Supremes, The Rolling Stones, The Animals, The Beatles, The Yardbirds, Sergio Mendes, Stan Getz, Vinicius de Moraes, and other creators of Bossa Nova tunes, which I know but not by name.

Two things made me decide to take the path of music: 1) irreparable instinct that drove me to play the piano without learning and 2) at 18 years old, a deep desire to not work ina a factory like my father, that I rarely saw because of those insane working schedules.

ASTRONAUTA - How did you become interested in electronic music and electronic instruments? What was your first electronic music instrument?

BERNARD FÈVRE - After playing acoustic and electric keyboards in bands, it was logical that I'd come into the "electronics and synthesis", so I bought my first Korg synth in 1973, that I always had as a key element of the environment of the BDDC and Bernard Fèvre.

ASTRONAUTA - You lived in Germany for some time in the sixties, right? How did German music and arts influenced your musical career? Which bands did you hear at that time?

BERNARD FÈVRE - I just lived in Berlin for 16 months, in a French army barracks where there was no German, unfortunately, and I did not often go out because I was out of money. I still saw a few concerts in town, that were rather decadent Krautrock precursors, and surprised me by the look :) I only knew Kraftwerk much later, in France. I was influenced by Vangelis Papatanasious, so rather Greek! If you listen to my drums (on BDDC), you will hear more South American than German music :) In general, I avoided influences because I am very impressionable. Ennio Morricone and François de Roubaix were, in Europe, the musicians whose film music I loved the most.

ASTRONAUTA - How did you record your first albums - Suspense (1975), The Strange World Of Bernard Fevre (1975) and Cosmos 2043 (1977)? How it was the recording process for those albums?

BERNARD FÈVRE - I recorded that all in an "apartment" of about 9 square meters, in Paris 75010, alone on a TEAC 4 tracks tape recorder, with French FX that have all gone...

ASTRONAUTA - Your musical style changed from the first albums to your next project, Black Devil Disco Club. How it was that transition for you?

BERNARD FÈVRE - Sometimes I sit down and sometimes I stand up, with the urge to move my legs and "Elvis" pelvis... So I asked the spirit of Bernard Fèvre for a disco kick, and I became a litte bit evil like that, hehe!

ASTRONAUTA - What are your recent projects and plans to the future (albums, concerts, etc.)?

BERNARD FÈVRE - Here I am with an Library Music album (coming back home), that will be a mix of acoustic and synthesized sounds. I've been preparing for one year the next BDDC, with more pronounced influences from Brazil. I hope to succeed. In the spring of 2015 all of my work from the '70s will be republished, thanks to friendly labels around the world, and after 4 years of hard working from Alter K (my current editor), to get back my publishing rights, unused for 30 years.

ASTRONAUTA - There's a documentary going on, about your life and music - "Time Travel: The Strange World Of Bernard Fevre". Are there any news about when it will be available, when it will be released? Are you active on the production of this documentary?

BERNARD FÈVRE - Yes, the British are still among my biggest suporters! So, "Mutiny Media" productions have already turned the first images of a documentary, which will be dedicated to my forgetfulness and my rediscovery in the world of international music. I am very proud of that.

ASTRONAUTA - One last question, what was your preferred synthesizer in the seventies? Do you still have some (or all of the) instruments and equipments that you used in the seventies?

BERNARD FÈVRE - I loved the Moog and the Korg. My favorite is a Korg 700, always willing to help me! I'm working on an old Mac, with plugins from early 21st century. They are already vintage, but I don't want to be apart from them.



Original text for the interview, in French:

ASTRONAUTA - Quels musiciens ou groupes vous souvenez-vous que vos principales influences? Et comment avez-vous décidé de devenir musicien?

BERNARD FÈVRE - Beaucoup de musiciens m'ont attiré vers la musique et mon choix a toujours été très varié. Dans années 50 j'amais bien Chopin, Debussy, Ravel, et aussi les compositeurs de chanteurs comme Edith Piaf dont je ne savais pas le nom, j'ai toujours aimé écouté la radio car j'aime avant tout avoir un aspect général de la musique de mon époque. Ma primière émission de radio préférée s'appelait "Pour ceux qui aiment le jazz".
Dans les années 60 la musique qui m'a aimanté venait le plus souvent d'Amérique, d'Anglaterre et du Brésil je pense qu'à l'époque ces 3 pays produisaient des choses qui avaient beaucoup d'âme, j'aimais Ray Charles, Stevie Wonder, Quincy Jones, Diana Ross & The Supremes, Les Rolling Stones, Les Animals, Les Beatles, Les  Yardbirds, Sergio Mendes, Stan Getz, Vinicius de Moraes eu d'autres faiseurs de bossa nova dont je connais les mélodies mais non le nom.
Ce qui n'a décidé à prendre le chemin de la musique c'est 2 choses: 1) un instinct irrémédiable qui me poussait à jouer du piano sans avoir appris et 2) à 18 ans le désir profond de ne pas travailler dans une usine comme mon père que je voyais rarement vu ces horaires de travail insensés.

ASTRONAUTA - Comment t'es-tu intéressé à la musique électronique et instruments électroniques? Quel a été votre premier instrument de musique électronique?

BERNARD FÈVRE - Après été clavier de groupes de musique acoustique et électrique il était logique que je vienne vers l'électronique et la synthèse, j'ai donc acheté en 1973 mon premier synthé Korg, que j'ai toujours eu qui este un élément primordial de l'environnement de BDDC eu de Bernard Fèvre.

ASTRONAUTA - Vous avez vécu en Allemagne pendant un certain temps dans les années soixante, non? Comment la musique et les arts allemand n'ont influencé votre carrière musicale? Quels groupes avez-vous entendu à ce moment-là?

BERNARD FÈVRE - J'ai juste vécu à Berlin 16 mois dans une caserne de l'armée Française où il n'y avait pas de cours d'allemand malheureusement, et je ne sortais pas souvent par manque d'argent, j'ai quand même vu quelques concerts en ville qui étaient plutôt du rock décadent précurseurs de Kraut et qui me surprenaient par le look :) j'ai connu Kraftwerk bien plus tard en France. J'ai été influencé par Vangelis Papatanasious, donc plutôt grec! Si vous écoutez mes percussions (BDDC) vous y entendres plus de Sud Américan que de German Music :) De manière générale j'évite les influences car je suis très influençable. Ennio Morricone et François de Roubaix étaient, en Europe, des musiciens dont j'amais les musiques au cinéma.

ASTRONAUTA - Comment avez-vous enregistrer vos premiers albums - Suspense (1975), The Strange World of Bernard Fevre (1975) et Cosmos 2043 (1977)? Comment ça a été le processus d'enregistrement pour ces albums?

BERNARD FÈVRE - J'ai enregistré tout ça dans une "chambre de bonne" de 9 m2 environ, à Paris 75010, seul sur un tape recorder TEAC 4 tracks avec des FX Français qui ont tous disparus...

ASTRONAUTA - Votre style musical a changé depuis les premiers albums à votre prochain projet, Black Devil Disco Club. Comment c'était que la transition pour vous?

BERNARD FÈVRE - Parfois je suis assis et parfois debout avec l'envie de bouger les jambes et le pelvis "Elvis"... J'ai donc posée l'espirit Bernard Fèvre sur un kick disco et je suis devenu un peu diabolique, comme ça, HéHé!

ASTRONAUTA - Quels sont vos projets et les plans récents à l'avenir (albums, concerts, etc.)?

BERNARD FÈVRE - Là je suis sur un album de Library Music (retour aux sources) ce sera un mélange d'acoustique eu de synthés.
Je prépare depuis 1 an un prochain BDDC aves des influences plus marquées Brésil, j'espère réussir au printemps 2015 tout mes travaux des '70s von être réédités, grâce à des Labels amis dans le monde entier, et après 4 années de travail acharné d'ALTER K (mon éditeur actuel) pour récupérer mes droits d'éditions inexploitées durant 30 ans.

ASTRONAUTA - Il ya un documentaire en cours, au sujet de votre vie et de la musique - "Voyage dans le temps: The Strange World of Bernard Fevre". Y at-il des nouvelles de quand il sera disponible, quand il sera libéré? Êtes-vous actif sur la production de ce documentaire?

BERNARD FÈVRE - Oui, les Anglais sont toujours parmi mes plus grands supporters! Donc les productions "Mutiny Media"ont déjà tourné les premières images d'un docu qui sera consacré à mon oubli et ma redécouverte dans le monde de la musique internationale, je suis très fier de cela.

ASTRONAUTA - Une dernière question, quel était votre synthétiseur préféré dans les années soixante-dix? Avez-vous encore un peu (ou tous les instruments) et les équipements que vous avez utilisé dans les années soixante-dix?

BERNARD FÈVRE - J'aimais les Moog et les Korg, mon fétiche este un Korg 700 toujours prêt à m'aider! Je travaille sur un vieux Mac avec des plugins du début du 21ème siècle, ils sont déjà vintage mais je ne veux pas m'en séparer.

 

Entrevista com Bernard Fèvre


Bernard Fèvre nasceu no dia 29 de Abril de 1946, e cresceu em um subúrbio operário, distante cinco quilômetros de Paris, França. Na infância, ele costumava escutar peças de compositores clássicos, como Chopin, Debussy e Ravel. Também ouvia jazz, que ele conhecia através de programas de rádio. Bernard interessou-se e passou a tocar piano aos 4 anos de idade. No início dos anos 60, ele interessou-se pela música popular, principalmente de artistas norte-americanos (como Ray Charles e outros) e ingleses (como os Beatles e outras bandas). Aos 14 anos de idade, Bernard largou a escola para trabalhar em uma fábrica durante o dia e tocar em uma banda, que se apresentava em casas noturnas. A banda tornou-se seu emprego oficial e aos 17 anos de idade, ele já estava ganhando a vida como músico profissional.

Na metade dos anos 60, aos 18 anos de idade, Bernard Fèvre teve que prestar seu serviço militar obrigatório e foi para a Alemanha, permanecendo lá por 16 meses. Tão logo ele retornou à França, reencontrou seus colegas e juntou-se novamente a eles, em uma nova banda, com quem ele viajou por toda a França, em apresentacões. Bernard Fèvre tocou nesta banda por cerca de 10 anos.

"Suspense", o primeiro álbum solo de Bernard Fèvre, foi lançado em 1975. Gravado em um pequeno apartamento na cidade de Paris. Utilizando somente um gravador TEAC de 4 canais, alguns sintetizadores e efeitos, "Suspense" é um ótimo exemplo dos primórdios da música pop eletrônica e também um ótimo exemplo de gravação caseira, assim como os discos seguintes lançados por Bernard Fèvre, "The Strange World Of Bernard Fèvre" e "Cosmos 2043" (almbos lançados em 1977).
A música contida nestes 3 discos poderia facilmente cair no setor de "Library Music" mas, muito além disto, estes albuns mostram uma pesquisa muito cuidadosa sobre os meios eletrônicos utilizados para criar uma música muito agradável, além de serem a gênese do projeto seguinte de Bernard Fèvre - e o projeto pelo qual ele alcançou reconhecimento internacional: Black Devil Disco Club.


Gravado e lançado em 1978, o primeiro álbum do Black Devil Disco Club é uma das grandes obras-primas da "disco music". Creditado a Junior Claristidge e Joachim Sherylee (na verdade nomes artísticos do Bernard Fèvre e do Jacky Giordano para este projeto, sendo que o segundo é creditado como co-autor das letras), Black Devil Disco Club foi gravado nos suburbios de Paris, novamente utilizando apenas sintetizadores, tape loops e um baterista ocasional. A RCA foi a gravadora que lançou o disco originalmente. Em 2004, o disco original foi relançado pela Rephlex Records e em 2006 o Black Devil Disco Club foi reativado oficialmente, e Bernard Fèvre lançou o segundo álbum do projeto, "28 After" (como o título deixa bem claro, depois de 28 anos do lançamento do primeiro disco), via o selo inglês Lo Recordings. O mesmo selo foi responsável, em 2009, por uma versão atualizada do disco originalmente lançado em 1975, "The Strange World of Bernard Fevre", e também por outros álbuns do Black Devil Disco Club - "Black Devil In Dub", 2007, "Eight Oh Eight", 2008, "Circus", 2011 (com participações de Nancy Sinatra, Jon Spencer e Afrika Bambaataa), e o recente "Black Moon White Sun", lançado em Outubro de 2013. Um documentário chamado "Time Traveler: The Strange World Of Bernard Fevre" está em processo de montagem, no momento, sob responsabilidade da companhia inglesa Multiny Media.

Meu primeiro contato com Bernard Fèvre para esta entrevista foi através da sua página oficial no Facebook e, a partir daí, via Olivier Rigout, que gentilmente encaminhou meus emails para o Bernard. O texto da entrevista foi originalmente enviado em francês pelo Sr. Fevrè. Você pode checar o texto original logo a pós a tradução da entrevista, no final deste post). Eu gostaria de agradecer muito ao Bernard Fevrè e aos Olivier por esta oportunidade de entrevistar um dos grandes nomes da música eletrônica francêsa! E aqui está a entrevista:


ASTRONAUTA - Bernard, quais os artistas ou bandas que você lembra como sendo suas primeiras influências? E como você decidiu que seguiria a carreira de músico profissional?

BERNARD FÈVRE - Muitos artistas me atraíram para a música, e minhas escolhas sempre foram muito variadas. Noa nos 50, eu amava Chopin, Debussy, Ravel, e também artistas como Edith Piaf, que eu gostava mas não sabia o nome. Eu sempre adorei ouvir rádio, porque eu amava todos os tipos de música da minha época. Meu programa de rádio favorito era um chamado "Para aqueles que amam o Jazz".

Nos anos 60, a música que mais me atraía vinha principalmente da América, da Inglaterra e do Brazil. Eu acho que , na época, estes eram os 3 países que produziam as coisas que mais tinham alma. Eu amava Ray Charles, Stevie Wonder, Quincy Jones, Diana Ross &The Supremes, The Rolling Stones, The Animals, The Beatles, The Yardbirds, Sergio Mendes, Stan Getz, Vinicius de Moraes, e outros compositores de Bossa Nova, que eu conheço, mas não sei os nomes.

Duas coisas me fizeram decidir trilhar o caminho da música: 1) o instinto irremediável que me levou a tocar piano por conta própria, sem formalmetne aprender e 2) aos 18 anos de idade, um desejo imenso de não trabalhar em uma fábrica, como meu pai, que eu raramente via por conta da insana jornada de trabalho.

ASTRONAUTA - Como você se interessou pela música e pelos instrumentos eletrônicos? Qual foi seu primeiro instrumento musical eletrônico?

BERNARD FÈVRE - Depois de ter tocado teclados acústicos e elétricos em bandas, logicamente eu me interessei por "eletrônicos e sintetizadores". Então eu adquiri meu primeiro sintetizador Korg, em 1973. Este sintetizador foi e ainda é o elemento principal no desenvolvimento do BDDC e de Bernard Fèvre.

ASTRONAUTA - Você morou na Alemanha por um tempo, nos anos 60, certo? A música e as artes produzidas na Alemanha influenciaram de alguma forma na sua carreira? Quais artistas e bandas você escutava na época?

BERNARD FÈVRE - Eu morei na Alemanha por 16 meses apenas, em um acampamento do exército Francês, onde não haviam alemães, infelizmente. E eu raramente saía, porque eu não tinha dinheiro. Ainda assim eu assisti alguns concertos na cidade, na maioria algumas das primeiras bandas de Krautrock, decadentes, que me surpreendiam mais pelo visual :) Eu vim a conhecer o Kraftwerk bem depois, na França. Eu era influenciado pelo Vangelis Papatanasious, bem mais Grego! Se você ouvir minhas batidas (no BDDC), você encontrará mais elementos da música sul-americana do que alemã :) No geral, eu evito influencias porque eu sou muito influenciável. Ennio Morricone e François de Roubaix eram, na Europa, os músicos que faziam as trilhas sonoras que eu mais amava.

ASTRONAUTA - Como você gravou seus primeiros discos - Suspense (1975), The Strange World Of Bernard Fevre (1975) e Cosmos 2043 (1977)? Como foi o processo de gravação destes albuns?

BERNARD FÈVRE - Eu gravei tudo em um pequeno apartamento, de mais ou menos 9 metros quadrados, na região Paris 75010, só com um gravador TEAC 4 canais e alguns efeitos fabricados na França, que se perderam no tempo...

ASTRONAUTA - Seu estilo musical mudou dos primeiros discos para o seu projeto seguinte, Black Devil Disco Club. Como foi esta transição para você?

BERNARD FÈVRE - Às vezes eu gosto de me sentar e às vezes eu gosto de levantar, mover minhas pernas e minha pelvis, como o "Elvis"... Então eu solicitei um bumbo "disco" ao espírito do Bernard Fevrè, e me tornei um pouquinho diabólico com isso, hehe!

ASTRONAUTA - Quais são seus projetos mais recentes e planos para o futuro (discos, concertos, etc.)?

BERNARD FÈVRE - Aqui estou eu, com um disco de Library Music (retornando às origens), misturando sons acústicos e sintetizados. Há um ano eu estou preparando o novo disco do BDDC, com influências mais claras do Brazil. Eu espero que eu consiga fazer. Na primavera de 2015, todo o meu catálogo dos anos 70 será republicado, graças a selos amigos ao redor do mundo. E, depois de 4 anos de trabalho duro do meu editor atual, Alter K, recuperamos os direitos de publicação da minha obra, fora de catálogo há 30 anos.

ASTRONAUTA - Existe um documentário sendo finalizado, sobre sua vida e música - "Time Travel: The Strange World Of Bernard Fèvre". Quais são as novidades sobre este filme, e quando ele estará disponível, será lançado? Você tem participação ativa na produção do documentário?

BERNARD FÈVRE - Sim, os britânicos estão entre os meus maiores apoiadores! Então, a empresa"Mutiny Media" já começou a produzir as primeiras imagens de um documentário, que será dedicado ao meu esquecimento e à minha retomada e redescoberta no mundo da música internacional. E eu sinto muito orgulhoso disto.

ASTRONAUTA - Uma última pergunta, Bernard, qual é o seu sintetizador preferido dos anos 70? Você ainda tem algum (ou todos) os instrumentos e equipamentos que você utilizava nos anos 70?

BERNARD FÈVRE - Eu amava os Moogs e os Korgs. Meu favorito é um Korg 700, sempre disposto a me ajudar! Eu tenho trabalhado em um velho Mac, com plugins do início do século 21. Eles já podem ser considerados "vintage", mas eu não quero me separar deles.



Texto original, em francês, enviado pelo Bernard Fèvre:

ASTRONAUTA - Quels musiciens ou groupes vous souvenez-vous que vos principales influences? Et comment avez-vous décidé de devenir musicien?

BERNARD FÈVRE - Beaucoup de musiciens m'ont attiré vers la musique et mon choix a toujours été très varié. Dans années 50 j'amais bien Chopin, Debussy, Ravel, et aussi les compositeurs de chanteurs comme Edith Piaf dont je ne savais pas le nom, j'ai toujours aimé écouté la radio car j'aime avant tout avoir un aspect général de la musique de mon époque. Ma primière émission de radio préférée s'appelait "Pour ceux qui aiment le jazz".
Dans les années 60 la musique qui m'a aimanté venait le plus souvent d'Amérique, d'Anglaterre et du Brésil je pense qu'à l'époque ces 3 pays produisaient des choses qui avaient beaucoup d'âme, j'aimais Ray Charles, Stevie Wonder, Quincy Jones, Diana Ross & The Supremes, Les Rolling Stones, Les Animals, Les Beatles, Les  Yardbirds, Sergio Mendes, Stan Getz, Vinicius de Moraes eu d'autres faiseurs de bossa nova dont je connais les mélodies mais non le nom.
Ce qui n'a décidé à prendre le chemin de la musique c'est 2 choses: 1) un instinct irrémédiable qui me poussait à jouer du piano sans avoir appris et 2) à 18 ans le désir profond de ne pas travailler dans une usine comme mon père que je voyais rarement vu ces horaires de travail insensés.

ASTRONAUTA - Comment t'es-tu intéressé à la musique électronique et instruments électroniques? Quel a été votre premier instrument de musique électronique?

BERNARD FÈVRE - Après été clavier de groupes de musique acoustique et électrique il était logique que je vienne vers l'électronique et la synthèse, j'ai donc acheté en 1973 mon premier synthé Korg, que j'ai toujours eu qui este un élément primordial de l'environnement de BDDC eu de Bernard Fèvre.

ASTRONAUTA - Vous avez vécu en Allemagne pendant un certain temps dans les années soixante, non? Comment la musique et les arts allemand n'ont influencé votre carrière musicale? Quels groupes avez-vous entendu à ce moment-là?

BERNARD FÈVRE - J'ai juste vécu à Berlin 16 mois dans une caserne de l'armée Française où il n'y avait pas de cours d'allemand malheureusement, et je ne sortais pas souvent par manque d'argent, j'ai quand même vu quelques concerts en ville qui étaient plutôt du rock décadent précurseurs de Kraut et qui me surprenaient par le look :) j'ai connu Kraftwerk bien plus tard en France. J'ai été influencé par Vangelis Papatanasious, donc plutôt grec! Si vous écoutez mes percussions (BDDC) vous y entendres plus de Sud Américan que de German Music :) De manière générale j'évite les influences car je suis très influençable. Ennio Morricone et François de Roubaix étaient, en Europe, des musiciens dont j'amais les musiques au cinéma.

ASTRONAUTA - Comment avez-vous enregistrer vos premiers albums - Suspense (1975), The Strange World of Bernard Fevre (1975) et Cosmos 2043 (1977)? Comment ça a été le processus d'enregistrement pour ces albums?

BERNARD FÈVRE - J'ai enregistré tout ça dans une "chambre de bonne" de 9 m2 environ, à Paris 75010, seul sur un tape recorder TEAC 4 tracks avec des FX Français qui ont tous disparus...

ASTRONAUTA - Votre style musical a changé depuis les premiers albums à votre prochain projet, Black Devil Disco Club. Comment c'était que la transition pour vous?

BERNARD FÈVRE - Parfois je suis assis et parfois debout avec l'envie de bouger les jambes et le pelvis "Elvis"... J'ai donc posée l'espirit Bernard Fèvre sur un kick disco et je suis devenu un peu diabolique, comme ça, HéHé!

ASTRONAUTA - Quels sont vos projets et les plans récents à l'avenir (albums, concerts, etc.)?

BERNARD FÈVRE - Là je suis sur un album de Library Music (retour aux sources) ce sera un mélange d'acoustique eu de synthés.
Je prépare depuis 1 an un prochain BDDC aves des influences plus marquées Brésil, j'espère réussir au printemps 2015 tout mes travaux des '70s von être réédités, grâce à des Labels amis dans le monde entier, et après 4 années de travail acharné d'ALTER K (mon éditeur actuel) pour récupérer mes droits d'éditions inexploitées durant 30 ans.

ASTRONAUTA - Il ya un documentaire en cours, au sujet de votre vie et de la musique - "Voyage dans le temps: The Strange World of Bernard Fevre". Y at-il des nouvelles de quand il sera disponible, quand il sera libéré? Êtes-vous actif sur la production de ce documentaire?

BERNARD FÈVRE - Oui, les Anglais sont toujours parmi mes plus grands supporters! Donc les productions "Mutiny Media"ont déjà tourné les premières images d'un docu qui sera consacré à mon oubli et ma redécouverte dans le monde de la musique internationale, je suis très fier de cela.

ASTRONAUTA - Une dernière question, quel était votre synthétiseur préféré dans les années soixante-dix? Avez-vous encore un peu (ou tous les instruments) et les équipements que vous avez utilisé dans les années soixante-dix?

BERNARD FÈVRE - J'aimais les Moog et les Korg, mon fétiche este un Korg 700 toujours prêt à m'aider! Je travaille sur un vieux Mac avec des plugins du début du 21ème siècle, ils sont déjà vintage mais je ne veux pas m'en séparer.

 

Monday, July 14, 2014

Interview with Klaus Schulze

Paris, 1973 © kdm archives

1968/69, playing drums with Psy Free
© kdm archives
Klaus Schulze was born in Berlin, Germany on August 4th, 1947. He learnt guitar in his childhood and then moved to the drums soon after that. As a drummer, Klaus Schulze formed Psy Free, a trio consisting of organ, guitar and drums, that played in venues in Berlin. One of this venues was the now famous Zodiak Free Arts Lab, a club founded in 1969 by Boris Schaak, Hans-Joachim Roedelius and Conrad Schnitzler. At this time, Schnitzler was a member of the newly formed Tangerine Dream, with Edgar Froese on guitar. In one occasion their regular drummer was absent for a concert, so Klaus Schulze joined the band and remained as their drummer until the release of their first LP, "Electronic Meditation", on summer 1970. So, Klaus Schulze and Conrad Schnitzler left the band soon after that - Schnitzler formed Kluster with Hans-Joachim Roedelius and Dieter Moebius, and Klaus Schulze joined Ash Ra Tempel, a band formed by guitarrist Manuel Göttsching and bassist Hartmut Enke (the three members of Ash Ra Tempel had played in some occasions as "Eruption", with Conrad Schnitzler and others). With Ash Ra Tempel, Mr. Schulze recorded their first album, "Ash Ra Tempel" (1971), and soon left the band, in his search to find his own and unique sound.

1973 © Max Jacoby
In 1972, Klaus Schulze recorded what would be the first title of his extent and magic discography, "Irrlicht", using an electric organ and tape manipulations of a recorded classical orchestra, with some filters and effects, to achieve a marvelous and unique sound. "Irrlicht" is a little different from Schulze's style in his next solo albums, being more connected to the musique concrète and tape music than to the "electronic music". To his second album, "Cyborg" (1973), he used an EMS synthesizer, what helped him to go further into a more "space" sound. From his third album - "Blackdance" (1974) - on, Klaus Schulze added more and more synthesizer, electronic keyboards and effects to his music. At this point, he was already one of the main names of electronic music, not only in Germany but all over the Europe! In 1976, a Moog Modular System was purchased by Klaus Schulze and its sequenced sounds became a kind of trademark on his music for some time (even, as he explains in the following interview, that the equipments are not the most important aspect of his music, one must agree that the Moog equipments - and other analog synthesizers available at that time - were an important subject during his search for a specific sound, as we can check throughout his discography, concert recordings and concert photos and footage from that time. Of course it was the only equipment available at that time - digital technology only arrived in late '70s - but Klaus Schulze made one of the best usages of the analog synthesizer, creating atemporal and "unearthly" sounds.)

Klaus Schulze's discography is huge, counting with his solo albums (all of them released on CD, sometimes with bonus tracks), box sets, concert DVDs, bands in which he played (like Tangerine Dream and Ash Ra Tempel, mentioned before, and Stomu Yamashta's Go), albums released as Richard Wahnfried (Mr. Schulze's pseudonym for his side project, from 1979 on), and albums he recorded and produced with Australian singer Lisa Gerrard, from Dead Can Dance. You can check his full discography on his website: www.klaus-schulze.com

Mr. Mueller & Mr. Schulze, November 2008
© kdm archives
I sent the questions for this interview via email, and the answers came soon after that - what explains that he already answered my second question in the first question, for instance. And this interview wouldn't be possible without the help from Mr. Klaus D. Mueller, a long time friend of Klaus Schulze and the music publisher of most of Mr. Schulze's works (Mr. Mueller is also the producer of some of Klaus Schulze's albums, like the multi CD sets released in the '90s, "Editions", and their recent re-release as "La Vie Electronique"). Klaus D. Mueller was very kind in replying my emails before and after the interview, and provided me that nice photo of himself and Klaus Schulze in 2008, shown here on the right. I am very grateful to Mr. Mueller and Mr. Schulze! Thank you! And here's the interview with Mr. Klaus Schulze!

Brussels, 1976 © Klaus D. Mueller
ASTRONAUTA - How did you discover music in your life and what were your first musical influences, in your childhood and teenage days?

KLAUS SCHULZE - As a kid I had some guitar training at school and played guitar for about six years, also I fooled around with the electric guitar in the sixties, playing music of 'The Shadows' or 'The Spotnicks'. My interest in the pop music of the day was not so much the 'songs' or the singers or Rock'n'Roll, but it was the SOUND. The new, unusual, exotic sounds that some of the popular bands or musicians tried out. This was my interest.

1973 © Marcel Fugère 
Then I started with drums because my brother was a drummer with a jazz band, so I thought that drumming would be more pleasant than playing guitar. In the mid sixties I was drumming in the free rock trio PSY FREE. "Psy Free" was a trio consisting of guitar, organ and drums. I was the drummer. We did what the name suggests: psychedelic, free music. Not "free jazz" - which was in common at this time, but our music was more rock orientated noise. We played only in Berlin clubs.

Then, as the huge and accurate discography THE WORKS states quite correctly: Late '68/early '69, first gig of KS with TD at Berlin club Magic Cave for absent regular drummer SvenAke Johansson. From then on I was a member of TD, until summer 1970.

Also, at this early time I used some kind of "electronics": I fumbled around with the inside of an old cheap electric organ and a Fender guitar amp, without knowing what I am doing, bit the exotic sounds that came out sometimes, because of this, they were interesting (to me). When I had read some days ago in your website the interview with Ron Geesin, I was surprised, that we both - independently - were doing the about same thing at this time. Geesin: "I used: speedchanging on tape; fine editing; backwards playing; feedback; noises from radio; just about anything that I could wire up." Exactly. After these experiments, sometimes an instrument was beyond repair.

Tangerine Dream, 1970: Schulze, Froese & Schnitzler
I left Tangerine Dream because Edgar didn't like my experiments with organ and backwards tapes (he wanted a straight drummer for his Hendrix-like guitar playing. Soon after, Conny Schnitzler also left, because he also had 'crazy' ideas about music), ... and then I found two guys who had played blues rock as the "Steeplechase Bluesband" and had lost their drummer. With these two I formed ASH RA TEMPEL and I moved them far away from bluesrock, into "space rock". Still I was the drummer, but I also played my special lap guitar with an echo machine, for steady rhythm or for "cosmic" sounds. One day I said to myself "okay' it's all pretty and normal music, but if I want to do really something special, I should change instruments". I started with keyboards, it must be around the end of 1971.

ASTRONAUTA - You were the drummer of some bands (some very well known bands, by the way) before changing to tape manipulations and to the synthesizers and electronic keyboards, and before you became one of the biggest names in the electronic music field. How was this transition in your life and career?

KLAUS SCHULZE - This happened just as I told before.
I should mention, that at the time when I was playing with these groups they were not "very well known". A very different type of music was "well known" and popular at this time.

ASTRONAUTA - In the mid-70s you purchased a Moog Modular synthesizer that became a very characteristic instrument in your music. Can you tell us a little bit about the history of this specific instrument, your Moog Modular synthesizer? And how about other Moog Music Company instruments you had in your career?

1976 © Klaus D. Mueller
KLAUS SCHULZE - I cannot tell anything about "the history" of the Moog. Please understand that I use these instruments, but they are not a fetish to me. I like them when they work perfectly (what they did not always) and when I can use them in the way I want, and when they do finally exactly what I want from them. When better possibilities are at hand, then of course I use those. I can cite again Ron Geesin from his interview with you: "The IDEA is everything, and can be realised in many different ways. The changes in audio technology, mainly sampling and digital manipulation, have given a wider 'palette' from which to paint my sounds, but they don't choose the IDEA." I don't know this man, but he is absolutely right. It's me, the artist, the musician, who has the idea for the music and who plays this music. The instruments are just the tools. Musicians like me sometimes wonder why 'fans' adore these tools so much, especially in pop music, or, more especially: in "electronic music". No lover of sculptures, paintings, or literature would adore a hammer, a brush, or a typewriter.

ASTRONAUTA - What was your favorite synthesizer in the '70s? And, looking back, what is (or remained as) your favorite synthesizer from the '70s, nowadays?

Winsen, 1979 © Klaus D. Mueller
KLAUS SCHULZE - I always liked the instruments that had a special sound: the 'Minimoog' oscillators have this great deep and full tone; the 'Farfisa Syntorchester' had this 'female solo singing voice' in the higher register, at least the instrument that I owned; the Moog modular system had the wonderful sequencer; the 'Yamaha CS 80' had this and the 'EMS Synthi A' had that... I used every instrument for a certain & special part to create the sounds of my music that I needed and wanted. Also not unimportant were the effect tools and the method I made use of them: echo, repeat, flanger, phase shifter, etc. and not to forget: the recording and mixing technique: building 'rooms', left, right, back, front... (besides all the musical techniques of composing a piece of music, with intro, various parts, tension, breaks, chaos and beauty, rhythm and calmness, repetition, sounds, melodies, surprises, etc, etc, etc...)

ASTRONAUTA - In the late '70s and early '80s, how did the differences from analog technology to digital technology changed or how they affected your career and your music?

KLAUS SCHULZE - In 1979 I got the first music computer, the "G.D.S." and I tried out many things then, with the help of an American technician from the company, who showed me how to use it. It was - for me and for everybody - a complete different and NEW way of creating and storing sounds and music. The DIGITAL era was knocking at the door. The whole musical programme of the first 100% digitally played and recorded album, DIG IT was stored on digital disk. I didn't use traditional analogue synthesizers for it. For the release I 'invented' the slogan for the record label's advertising for my DIG IT album: "The era of analogue wheelchair electronics is over."

Derby, 1996 © kdm archives
ASTRONAUTA - What instruments from the seventies you still have in your studio, nowadays?

KLAUS SCHULZE - I still have and I still use sometimes the 'Minimoog' and the 'EMS Synthi A', but more often in concerts than in my studio. In the studio I work more or less - and for many many years now - with computer and its programmes.

ASTRONAUTA - Thank you, Mr. Schulze

KLAUS SCHULZE - I Thank you!

Tangerine Dream: Froese, Schulze, "Happy" Dieter
and "Hippie" Kraesze as announcer
© kdm archives
Linz, Austria, 1980 © kdm archives
Barcelona, Spain, 1996 © Dom F. Scab
Warsaw, September 2009, with Lisa Gerrard
© Piotr Sulkowski
1983 © kdm archives

www.klaus-schulze.com
Photos used by courtesy of Klaus D. Mueller/Klaus Schulze official website.